São Paulo está fazendo uma campanha turística para atrair os cariocas nos fins de semana. Mas São Paulo precisa fazer isso ?Resposta de um especialista, Otavio Demasi, presidente do Centro Técnico de Turismo, de São Paulo, é sim. A campanha não é do CTT, e ele diz não conhecer os resultados que está apresentando, mas afirma que a iniciativa é boa e dá outras informações e idéias sobre as vantagens da exploração do turismo como uma lucrativa industria para toda a região. Ele salienta:
“Embora São Paulo já tenha em todo o Brasil e até no exterior uma imagem que a cada dia aumenta mais, pelo simples fato dele vender produtos e serviços praticamente para todo o país e também a outros, é preciso haver um trabalho especial do ponto de vista turístico. Só assim projetará uma imagem realmente capaz de atrair turistas. Trata-se de vender o produto turístico, atraindo gente de fora para dentro, num processo inverso ao da venda de mercadorias, trazendo movimento econômico à Capital, que é a essência desse fenômeno moderno”.
Segundo o presidente do CTT, chegou a hora de deixa de lado “a filosofia de que o turista vem sozinho”, e partir para a racionalização da conquista do mercado potencial existente. Cita, porem, o especialista italiano Guglielmo Tagliacarne: “Vale mais dominar a demanda do que possuir uma boa oferta”. “São Paulo deve, portanto,, primeiramente dominar a demanda, embora possa ir tratando de melhorar a oferta”. “Esse domínio fará com que possamos adequar nosso produto a ser comercializado, co as necessidades do mercado comprador.
Diz mais Otavio Demasi:
“Turismo, embora chamado de industria, deve também ser tido como serviço , ou como o economista francês André Piatier o definiu: Transformação de consumo. Ou ainda economia de consumo, expressão usada pelo técnico Kurt Kraft..
“Essa industria de serviços tem uma peculiaridade, pois deixa de possuir o que chamamos estoque, o que quer dizer: a cama do hotel, a poltrona do avião não utilizadas no dia, devem ser contabilizadas, como dinheiro perdido”.
“O produto turístico de um hotel, por exemplo, é a sua capacidade traduzida em leitos e serviços paralelos, o bar, o restaurante, a boate, o salão de convenções, etc. O produto turístico de uma cidade é o seu todo, ou o seu espaço geoturistico é tudo aquilo que pode ser consumido pelos “forasteiros que se deslocam para efetuar uma troca de residência não permanente”, segundo o professor Angel Alcaide Inchauste”.
Segundo Demasi, pode-se traçar um roteiro de técnicas e métodos de marketing para a promoção turística, devendo-se sempre analisar as campanhas turísticas para se verificar sua eficiência. Ele diz que no Brasil, geralmente “as campanhas são concebidas intuitivamente, a gosto e capricho do interessado, sem se levar em conta a motivação dos consumidores”.
“Em turismo, porém, devemos vender aquilo que realmente mais interessa à demanda, e nunca o que mais nos convém. Deve-se ter em mente que quanto maior for o grau de diferenciação, menor é o grau de susceptibilidade entre dois produtos. Quando o grau de diferenciação é infinito, a elasticidade de substituição é nula. Por exemplo: Foz do Iguaçu. Por isso é sempre importante sabermos muita coisa sobre os consumidores, como suas opiniões, comportamento, preferenciais”.
Em seguida, diz ele: “Devemos procurar saber se, por exemplo, sobre a campanha para atrair cariocas, as motivações usadas pela Secretaria de Turismo e Fomento da Prefeitura são validas em relação ao mercado carioca”.
Diz ainda que para manifestar-se sobre aquela campanha, precisaria conhecer “os textos, as ilustrações, os interesses da opinião pública e se os custos operacionais compensarão.à curto, médio e longo prazo, o incremento de correntes daquele núcleo emissor”.
Sonia Garcia, diretora do CTT, diz: “Todas as campanhas que visam a atrair correntes turísticas se baseiam fundamentalmente, no mercado paulista. Exemplificando: “Visite o Nordeste”. Deixa-se de lado públicos que estão mais perto do objetivo a ser vendido, tentando conquistar mercados mais longinguos, o que faz aumentar os gastos e o grau de incerteza de venda, pois em turismo o serviço não vai ao cliente. Este é que tem de ir ao serviço. Isso representa distancia a percorrer. E temos também a redução do tempo livre e evidentemente a menor estacionalidade, pois os custos são maiores, bem como uma demanda em menor escala. No caso do Nordeste, o mercado poderia ser consumido primeiro pelos nordestinos, o que reduziria em muito os gastos promocionais e publicitários, aumentando-se gradualmente a distancia, conforme o desenvolvimento da infra-estrutura urbanistica e da estrutura turística. Vimos uma avalanche de turistas tomar de assalto o Nordeste, onde os serviços careciam de um maior aprimoramento, onde a demanda superou a oferta, com os turistas sendo explorados nos preços”.
OUTROS PROBLEMAS
Os dirigentes do CTT indicam, como outro problema na área, a falta de estatísticas: “Como podemos vender nosso produto se deixamos de nos conhecer e estamos aéreos com relação a quem já nos consome ? Qual o percentual de turistas que consomem (economicamente) os eventos programados pela Secretaria de Turismo do Município?”
“Em nossa Capital –diz ele- confunde-se muito turismo com lazer, o que impede os levantamentos perfeitos, as estatísticas”.
Mais um problema realçado pelo Centro Técnico de turismo: “Ao vendermos o turismo, mostramos ao cliente o produto através de uma ilusão de ótica, além do fato de que diversos meios e fatores interferem no negocio. A agencia de viagem vende o produto, mas depende do serviço do transportador, do hoteleiros, dos equipamentos do núcleo receptor, sejam esportivos, sociais, recreativos ou de negócios. Depende-se também de outros fatores, como o climatológico, estradas, etc”.
Foto: picasaweb.google.com
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